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Resenha do livro " Clér" do autor Pablo Madeira


Titulo: Clér
Autor: Pablo Madeira
Editora: Angel
Edição:1
Páginas: 158

    Este é o primeiro livro com temática LGBT que li em toda minha vida.
    O livro é contado pelo ponto de vista do personagem Rodrigo que tem uma visão até que receosa de si mesmo, envolvendo seus dramas internos, e externos, escolhas e sentimentos mútuos durante sua jornada.
    Rodrigo é homossexual, e disso ele é convicto, porém, de certo modo, não se aceita muito bem, por causa do preconceito que existe ao seu redor e também por sempre ouvir coisas ruins sobre o termo homossexualismo.
    O livro começa com sua decisão de sair da casa dos pais e ir morar com sua tia.
    O motivo?
    Seu pai é um alcóolatra, violento e preconceituoso, e sua mãe é uma codependente dele, aceitando os maus tratos do marido e toda sua ira perante a bebedeira, vivendo sobre a falsa esperança de que ele mude. Então, sentindo-se sufocado por não saber lidar com essa situação – de ver a mãe sendo humilhada e ao mesmo tempo sendo motivo de piada do pai – resolve ir morar com sua tia, que o aceita da forma como ele é e ao mesmo tempo em que a casa dela é um lar onde reina a paz.
    Interessante é que quando li esse trecho, em relação ao alcoolismo do pai... é que já passei por esse drama familiar e realmente o sentimento que se tem é de impotência, de nós que somos, posso dizer assim, “vitimas” dos maus tratos, mesmo não sendo diretamente conosco, mas com uma pessoa que a gente ama, dói da mesma forma. E teve uma época em que queria realmente sair de casa. Meio que me identifiquei com a situação e os sentimentos descritos realmente foram os mesmo que tive. Ponto para o autor que soube como desenvolver o lado emocional do personagem de forma tão boa – o autor estuda Psicologia, não era para menos.
    Voltando ao enfoque no livro...
    Após ir morar com sua tia, claro, ele passa por todo um processo de adaptação ao local, aos novos costumes, entre outras coisas, e nesse processo ele conhece as duas pessoas que acabam por se tornarem seus melhores amigos – o casal Mickaela e Hugo –, onde a identificação é imediata por eles, embora não sejam homossexuais, assumem um padrão de estilo diferente do que a sociedade espera.
    No segundo ato é onde Clér aparece. A introdução do personagem na trama foi bacana, e ao mesmo tempo retrata exatamente como ocorre um amor à primeira vista em um jovem de 18 anos, que é aquela coisa mais ávida, urgente, sem prudência. Quem nunca na juventude já teve aquela paixão doida que dar vontade de gritar pro mundo inteiro que ama a tal pessoa?!
    Talvez alguém já tenha julgado a forma como ocorreu essa paixão como imediata, porém, tem de ver todo o contexto e analisar tudo para compreender bem o motivo.
    Durante um acampamento no dia de ano novo os dois se aproximam de forma ampla, deixando bem claro para Rodrigo que Clér sente o mesmo por ele, porém, Rodrigo se ver numa situação da qual deve ter paciência com seu parceiro já que ele não é assumido, e ter de tomar essa decisão para Clér é difícil, uma vez que a sociedade já tem uma imagem formada do seu amado de uma maneira e além de ter seus amigos homofóbicos.
    A reta final da trama ocorre de um jeito que me fez ter raiva de certos acontecimentos e ódio de outros. Eu entendi o motivo e compreendi o personagem causador da raiva, e no fim o sentimento de impunidade não deixa de afetar a quem vai ler – o ódio. Claro que não vou soltar Spoiler, mas garanto que mexe com o leitor, é um choque de realidade.
    A mensagem que o autor quis passar foi bem positiva ao mesmo tempo que realista.
    Positiva, porque com o desenvolver da história o leitor vai vendo que o personagem vai ganhado força durante sua jornada, perante suas escolhas. Compreende que pode sim existir amor entre as pessoas, e que o que basta é abrir a mente para aceitar o que é “diferente”, e quando me refiro ao amor, não resumo apenas ao amoroso, mas sim a tudo o que o termo engloba na vida de alguém. Ninguém está acima de ninguém, ou é melhor que o outro.
    E realista, porque o Pablo soube tratar de um problema social de uma forma simples e plausível, mostrando a realidade de um homossexual na sociedade em que vivemos. Uma pessoa que é julgada por ser quem é, visto como uma abominação quando na verdade é um ser humano igual a todos, que sente dor, medo, amor, compaixão, compreensão, que tem família, amigos, etc.
         Nos faz se dar conta de como o ódio parece que sempre vai vencer o amor, não importa onde seja. E que para mudar vai depender somente de nós mesmos! 

OBS: Em parceria o Arca Literária

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